E sonhei.
E chorei.
E pensei.
E ao concluir, sorri.


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segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Morro.

Data: 06 . Julho . 2007
Título: Morro.

Num certo dia, senti minhas forças a abandonarem-me. A minha voz, está muda. Meus olhos, estão pesados. Meus braços, estão a perder toda a agilidade e força. Minhas pernas, estão cada vez mais pesadas, mas ao mesmo tempo tão leves. Meu coração bate pausadamente e a minha respiração está a parar, bem devagar. Cada dia que passa sinto, cada vez mais, o sangue a querer deixar de correr, nas minhas, tão debilitadas e fracas, veias. Agora, finalmente, o meu coração está a dar as suas últimas batidas. Meus pulmões começam a impedir o ar, que quase heroicamente, tenta entrar. O meu cérebro está a adormecer, finalmente. Depois de tanto sofrimento e esforço, consegui morrer. Morro, porque já não suporto ouvir o sangue a correr, euforicamente calmo, pelas minhas frágeis veias. Acabo de morrer, e agora? Será que, agora, sou feliz? Será que alguém fica comigo, até voltar a sentir, novamente, o coração a parar e o sangue a perder a vivacidade com a qual bateu estes 20 anos? Talvez, não!Queres saber, porque me deixo morrer? É porque, aquele que muitos não conhecem, aquele que intitula como 'pai', abusa de mim. Todos os dias da minha vida, em cada capítulo da minha dura vida, maltratou-me. Por ter vergonha de mim, por ter nojo do que faço... desde os meus 13 anos.O que se passou aos meus 13 anos? Abortei pela 1ª vez, minha Mãe levou-me a um sitio nojento, sem condições, sem nenhuma higiene... mas foi ali, que tive a minha 1ª experiência em abortos. Fiz tantos, que já perdi a conta, era mês sim, mês não...
É muito doloroso, lembrar-me de tudo. Agora, deves estar-te a perguntar, porque a minha Mãe não fez nada!? Porque ela levou-me mais 2 ou 3 vezes àquele sítio horrível, e depois matou-se... Já viste? Acontece-me isto tudo, e com 13 anos e meio, a minha Mãe, mata-se! Senti-me no chão, quando cheguei a casa e deparo-me com ela esvaída em sangue, em cima de minha cama... tinha cortes, já antigos nas pernas, nos braços, e até na barriga. Mas desta vez, conseguiu, penso que das outras vezes, não teve forças, e que desta vez, teve forças, até de demais... ainda não consegui perceber como conseguiu cortar-se tanto. Só queria, ter-lhe podido dizer o quando a amava, mesmo quando ela não tinha forças, mesmo quando brigava comigo. Amava-a! Porque, sim! Porque esteve sempre ALI! Amo-te, Mãe!
Enfim, o que consegui perceber, foi que a partir daquele momento, teria de ser eu sozinha, a enfrentar aquele homem.
Agora mesmo, aquela que me está a tirar o meu filho, diz que já não posso mais... e agora? Eu que gostava de ter um filho só meu, um filho para amar, para educar, para acarinhar, para ter em meu alento, para proteger de qualquer mal... e não posso ter esse ser, que é tão importante para mim.Neste momento, estou a ouvir, lá longe, aquela mulher a dizer, num tom de voz tão duro e amargo, que me fez deitar a minha última lágrima... a lágrima que pensei, que já havia secado. Ela dizia, 'Esta já não se safa, já deve ter feito tantos abortos...' Se ela soubesse...
Acabo de morrer numa clínica, estou esvaída em sangue. Sinto as minhas veias vazias. Sinto o sangue, a sair de mim, aos montes. Sinto agora, a última e fraca batida, do meu, já gelado coração. Sinto o meu cérebro a adormecer, FINALMENTE! Sinto o meu último suspiro, já fraco, frio e sem emoção. Neste momento, estou morta! Sim, morta! Finalmente, consegui morrer!
Morro aos 20 anos, vitima de mal tratos, vitima de imensos abortos. Morro, com dor na alma. Morro, com dor na consciência. Morro, sem apoio.Morro, sem o calor da minha cama. Morro, sem ganhar um beijo verdadeiro, com amor. Morro, sem dizer 'Amo-te!', sim porque o 'Amo-te, Mãe!', eu não cheguei a dizer-lhe. Morro, sem ter vivido. Morro, por morrer. Morro, por pensar que não havia saída, quando havia. Morro, de satisfação, por ter morrido. Morro porque, já não aguento mais. Morro porque, tenho que morrer. Morro porque, está na hora. Só quero ir ter àquela Luz! Quero ser Feliz, nesta minha nova caminhada! Quero sentir a brisa do mar a bater levemente, em meu rosto. Quero sentir as gotas da chuva, que desce tão furiosa, mas ao mesmo tempo tão alegre. Quero viver, viver intensamente! Quero escrever a minha própria História! Quero tudo de bom! Quero alegrias suficientes, para esquecer as tristezas. E quero tristezas suficientes, para dar valor ás pequenas alegrias.
Esta história foi feita, numa noite em que o sono estava longe...

Que achaste dos textos?


Awww... The sky is crying.