''A casa ficou vazia. No quarto ficaram os pesadelos, os sonhos, as lágrimas e poucos sorrisos. A sala ficou repleta de mágoa. A cozinha tem pingos no chão. Pingos perfeitos, grandes, brilhantes, vermelhos. A casa-de-banho ainda tem o cheiro que não devia ter. O sangue ficou marcado em cada azulejo. A dor ficou em cada lâmina. A tristeza foi pelo cano juntamente com a água tingida de vermelho. A última gota de paz e desespero foi pelo cano. Agora, restam no chão os pingos frios e carregados de dor. E o cheiro tão intenso e pesado que paira no ar, faz com que tudo mais não tenha sentido. Há muito que o sol tinha deixado de fazer sentido. Apenas encontrava o brilho perfeito numa gota de sangue a correr o pulso e a cair levemente na água. O arco-íris perdeu o encanto e as cores. Pois o vermelho carregado de mágoa parecia substituir todas elas. A brisa convidativa de um jardim tinha sido trocada pelo odor do liquido que corria nas veias. As janelas sempre estiveram cerradas. O receio de permitir que tudo voltasse, não deixava entrar um raio de sol. A chuva tinha sentido. A trovoada era perfeita. Um buraco negro com flashes. A perfeita descrição. O buraco? A sua vida. Os flashes? Momentos. Momentos de ódio, paz, procura. Apenas momentos, instantes apenas.A última gota que pingou foi sentida. As veias ficaram finalmente vazias. A lágrima que estava escondida por entre as mágoas perdidas, caiu reticente. Agora já não há volta a dar. Não vale a pena chorar. A alma que há muito se perdeu não se encontrará por causa das lágrimas, agora deitadas. Lágrimas que são tão falsas, cruéis e ao mesmo tempo sinceras e pesadas. Sentimentos trocados. Sorrisos perdidos. Veias esgotadas. Coração sofrido. Para quê? Talvez, para te fazer deitar as lágrimas que tinhas guardadas. Sim, aquelas que não tiveste coragem de deixar correr. Aquelas que sempre lutaste para que não escorregassem.Antes do último corte, aquele que seria o mais profundo. Uma breve curta-metragem da vida passou rapidamente pela cabeça. Tristezas que tinham sido arquivadas estavam agora libertas. A última gota de sangue, levou consigo toda a mágoa. O pesar da tristeza arrancou o último pingo de sangue sem pudor. Neste momento, o alivio torna-se forte. Um sorriso frio mas reconfortante é esboçado no rosto como uma vitória. A paz parece invadir o ar. A calma entrou calmamente pela casa apoderando-se de um corpo quase sem vida. A marca do sofrimento está bem vincada no rosto, no corpo e na alma. E a alma perdida tentou reencontrar-se sem sucesso. A última gota caiu, finalmente.''
E sonhei.
E chorei.
E pensei.
E ao concluir, sorri.
quarta-feira, 28 de novembro de 2007
segunda-feira, 5 de novembro de 2007
EDITAR! (05.Nov.2007)
Onde está a voz? Onde ficou a garra? Onde parou a força?
Não sei. Quero gritar mas a voz parece estar desaparecida. Preciso da força e da garra, mas parece que estas me abandonaram. E agora? Como me levanto? Como sigo o meu caminho? Como me posso fazer de forte se não tenho forças de reserva?
Para que serve ter voz se as palavras não fazem sentido?
Para que quero a vida se me sinto a morrer?
Para que preciso da calma, se o desespero penetra no sangue?
Se me tiraram as perguntas de que me serve ter as respostas?
O arco-íris tornou-se preto e branco.
As flores murcharam.
O gelo derreteu.
Em tempos o Homem tinha de lutar para sobreviver no Mundo. Hoje, é o Mundo que luta para sobreviver.
Não sei. Quero gritar mas a voz parece estar desaparecida. Preciso da força e da garra, mas parece que estas me abandonaram. E agora? Como me levanto? Como sigo o meu caminho? Como me posso fazer de forte se não tenho forças de reserva?
Para que serve ter voz se as palavras não fazem sentido?
Para que quero a vida se me sinto a morrer?
Para que preciso da calma, se o desespero penetra no sangue?
Se me tiraram as perguntas de que me serve ter as respostas?
O arco-íris tornou-se preto e branco.
As flores murcharam.
O gelo derreteu.
Em tempos o Homem tinha de lutar para sobreviver no Mundo. Hoje, é o Mundo que luta para sobreviver.
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Awww... The sky is crying.