Hoje, para mim, tudo é incorrecto. O tempo passou, mas a ferida não sara. O medo está sempre presente. A solidão acompanha-me para todo o lado, é uma boa amiga. Ela apenas ouve, não diz nada mas sei que me compreende. E tenho medo de tanta compreensão. Não me quero entregar a ela, mas parece que já o fiz.
O vento eleva-me os cabelos. O corpo sente mas parece ignorar o frio. Este meu refugio começa a perder o sentido. Há uns tempos era tudo e agora é nada. Quero encontrar um novo lugar, um novo espaço. Mas nenhum parece ter as condições que este tem. Este é livre, fresco e inspirador.
Quero libertar-me dos meus fantasmas. Eles sufocam-me. Já não sou a mesma. Não me reconheço. A Natureza tornou-se inconstante. Sou como a terra que é espezinhada e ignorada por todos. Os aromas perderam-se. A vista já me falha, por isso olho para o vazio.
Não sei o que estas palavras podem significar, mas penso que será um adeus. Talvez por momentos, talvez para sempre. Apenas o tempo e as feridas o dirão. Adeus, porque a vida perdeu o sentido. E também eu perdi o sentido da vida. Antes ela era essencial, agora é tempo perdido. Tudo me falta. Nada me consola. Não tenho nada. Estou rodeada de medos. As janelas estão fechadas, trancadas e perdidas. Os dedos perdem a agilidade com o passar do tempo. Oiço mentiras e verdades iludidas.
Sei que tudo muda. Pois tudo mudou.